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quinta-feira, 17 de maio de 2012

Ai ai ai, e as Birras?



Do site : http://psicologiacriancaeadolescente.blogs.sapo.pt/3940.html, escrito pela Dra. Teresa Marques - Doutora e Psicologia da Educação, extraí este texto para elucidar, um pouco, algumas atitudes e comportamentos que vemos por aí...

Ela afirma que desde muito cedo que os bebês tendem a testar os seus limites. Ao longo dessa exploração, esbarram, por vezes, com a atitude firme dos educadores e dos pais; mas pode acontecer que o modelo educativo seja demasiado permissivo e as crianças facilmente se apercebem que podem agir livremente, que podem ir além.  

 Os menores ficam percebem que, se fizerem uma birra suficientemente forte os pais vão ceder. Todos nós   já assistimos a cenas em que as crianças se deitam para o chão e gritam a plenos pulmões.

Os pais manifestam-se tão assustados e envergonhados com tal atitude, que acabam por dar o que a criança deseja. Podem até chegar a ameaçar com um castigo, mas raramente o cumprem, uma vez que a sua incapacidade de manter os limites é tão grande que não conseguem manter-se firmes. 

Uma atitude permissiva não leva jamais a resultados positivos. Há alguns anos no que se refere aos limites, assistiu-se a uma grande confusão no que respeita à interpretação dada a alguns conceitos de psicologia infantil. Muitas pessoas passaram a não assumir atitudes educativas mais firmes com receio de traumatizar as crianças, o que é completamente equivocado.

Ao longo do crescimento, todos nós temos necessidade de nos traçarem linhas de conduta que possamos   seguir; e só os pais ou educadores estão aptos a fazê-lo. Uma criança que cresce sem regras, dificilmente poderá sentir-se bem enquadrada na sociedade e, ser um adulto equilibrado e feliz.

Outro motivo prende-se com o receio de virem a ser menos amados pelos filhos, ou que estes os encarem como tiranos, o que encerra outra grande confusão de ideias. A firmeza não é sinónimo de autoritarismo. As regras podem, e devem, ser explicadas às crianças desde muito cedo, para que lhes seja mais fácil cumpri-las.

Perante uma birra, é sempre bom evitar frases do tipo “vou-te deixar-te aqui “ ou “ a mãe já não te quer porque tu és feio”, uma vez que as mentiras devem ser sempre evitadas e, para além do mais uma humilhação é um ataque à auto-estima da criança o que conduz a mais problemas do que resultados positivos.

Evite, por isso mesmo, repreender  e agir no momento em que a birra está acontecendo. Afaste-se um pouco da cena e comporte-se com naturalidade. O mais comum é que as pessoas  a volta comecem a tecer comentários, mas não se preocupe com isso.

Alguns dirão que a melhor atitude é dar-lhe uma palmada, uma vez que desconhecem que esse tipo de estratégia não conduz a resultados duradouros. Passado o momento de crise será a própria criança que se reaproximará dos pais ou educadores e, então,  este é o momento de perguntar-lhe calmamente se tudo está ultrapassado e compreendido.

Mais tarde, em casa, se ele já tiver mais de 3 anos, poderá sentar-se e manter uma conversa sobre o assunto, explicando-lhe que esse tipo de atitudes não o levam a lado nenhum, uma vez que os pais não cedem a chantagens .

É bom que o seu filho saiba desde muito cedo que, do mesmo modo que os pais lhe satisfazem as suas necessidades, também são por vezes obrigados a negar-lhe alguns caprichos, para bem da sua formação.